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Apresentação da Rede Regional de Bibliotecas Escolares



Escola Básica Integrada Roberto Ivens, 6 de novembro de 2014

  O Programa Rede Regional de Bibliotecas Escolares, da Direção Regional da Educação, hoje publicamente divulgado, será uma forma de estruturar e aprofundar o trabalho que até agora tem sido desenvolvido pelas bibliotecas escolares da Região Autónoma dos Açores.

  Trabalhar em rede quebra, sem dúvida, o isolamento das atitudes individuais e contribui para a uniformização e partilha de metodologias, procedimentos e ações. A Rede irá facultar a todos a possibilidade de obter formação acreditada e não acreditada, de usufruir de um conjunto de recursos bibliográficos e digitais, de manuais e fichas técnicas de procedimentos, de tutoriais, de troca de experiências e, ao mesmo tempo, de encontrar desafios em candidaturas a projetos que movimentem a escola e deem sentido às aprendizagens.

  A implementação desta rede regional de bibliotecas escolares surge num tempo em que o papel do professor bibliotecário é cada vez mais exigente e também mais valorizado nas escolas. Em plena era digital, o professor bibliotecário não é apenas aquele que seleciona os livros ao serviço de um tema. Pelo contrário, os professores de uma escola e o professor bibliotecário devem trabalhar em conjunto, de modo a que ele possa contribuir para um melhor desenvolvimento do currículo e para a construção do pensamento crítico. Para lá de servir esta competência instrutiva, a biblioteca é o espaço de eleição para a aprendizagem das múltiplas literacias, incluindo a digital, a visual, a textual e a tecnológica, que se agregaram na literacia informacional e se afiguram como competências fundamentais para este século. Neste sentido, é de consulta obrigatória o referencial Aprender com a Biblioteca Escolar, que apresenta processos de operacionalização no plano da literacia da leitura, da literacia dos média e da literacia da informação, preocupando-se com os processos de pesquisa, com a transformação da informação em conhecimento, com uma boa formação de utilizadores e  com o respeito pelos direitos de autor.

  Nos padrões defendidos pela AASL, American Association of School Librarians, ao aprendente do século XXI deverá ser permitida a igualdade no acesso aos livros e à leitura, à informação e à informação tecnológica. Deste modo, e em termos muito concretos, a Rede Regional de Bibliotecas Escolares terá de valorizar os níveis de excelência e de boas práticas de algumas escolas, mas sobretudo ter em atenção aquelas que dela mais necessitam, seja no plano da instalação e organização dos espaços, seja na atualização dos acervos, seja na catalogação, seja na construção de uma ideia de escola inclusiva, seja na mobilidade dos recursos entre as unidades orgânicas, de modo a criar canais de acesso para todos.

  Das múltiplas visitas que fizemos e dos contactos que já mantivemos desde o dia 1 de setembro de 2014 com os conselhos executivos, os coordenadores de bibliotecas das unidades orgânicas, os coordenadores de núcleo das escolas do primeiro ciclo e os docentes, colhemos a ideia de uma plena aceitação e de uma inteira recetividade relativamente à criação desta Rede Regional de Bibliotecas Escolares nos Açores.

  Tivemos ainda a maior aceitação por parte de todos os municípios da ilha de São Miguel, seus presidentes e vereadores, e bem assim por parte dos diretores das bibliotecas municipais, que se comprometeram ao nível da aquisição e empréstimo de livros, da possibilidade de partilha de formação e de atividades de promoção da leitura. Com certeza iremos ter também o melhor acolhimento por parte das demais autarquias e bibliotecas da Região.

  Do contacto com a Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, nascerá também um protocolo de colaboração centrado fundamentalmente no âmbito da formação em catalogação e indexação, em software, bem como nas atividades dedicadas ao livro e à leitura.

  Demais instituições, como a Direção Regional da Juventude, a Direção Regional da Ciência e Tecnologia, livreiros, editoras, associações culturais têm-nos garantido a sua colaboração.

  Uma das nossas parcerias de referência é a Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, que, como sabem, tem trilhado um caminho de sucesso. Embora haja uma grande diferença no que respeita à territorialidade e ao número de recursos humanos e financeiros envolvidos, a RBE criou metodologias e projetos que temos de adotar e utilizar nos Açores. As reuniões que tivemos recentemente em Lisboa com uma equipa de trabalho da Rede Nacional e com a sua coordenadora mostraram-se essenciais. Visitámos também bibliotecas escolares e municipais de Lisboa e Oeiras, pertencentes a esta rede, e assimilámos, pelas diferentes encontros com professores bibliotecários e formadores, procedimentos e boas práticas.

  A Rede Regional de Bibliotecas Escolares dos Açores, com sede na Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, irá criar uma dinâmica conciliadora entre quarenta unidades orgânicas que, por sua vez, articularão, consoante a sua realidade, com as escolas do primeiro ciclo. Cada uma dessas unidades orgânicas trabalhará em rede com a biblioteca municipal e/ou pública do seu concelho.

  A Rede terá um portal inserido no Portal da Educação da DRE, que disponibilizará informação e permitirá às escolas divulgar as suas atividades, além de lhes facultar a possibilidade de consulta do catálogo das bibliotecas escolares da Região.  

  A criação da Rede Regional de Bibliotecas Escolares dos Açores é um desafio que se coloca às instituições com fins educativos e culturais, às escolas, às entidades de formação, a todas as bibliotecas, às autarquias, aos grupos de teatro, aos museus, à Universidade dos Açores, a qual pode desempenhar um papel decisivo em termos de formação em Ciências da Informação e da Documentação e na criação de ferramentas e recursos digitais inovadores para as crianças e jovens das nossas escolas.

  Termino, agradecendo a todos quantos já colaboraram connosco, certa de que continuarão a fazê-lo para bem da educação dos alunos, da eficiência e desempenho dos professores, de uma boa relação com os pais e com as famílias e da construção mais sólida das comunidades educativas.